De 29 de junho a 5 de julho de 2020
De 29 de junho a 5 de julho de 2020

Por Natasha Bachini, Eduardo Barbabela, Douglas Moura, Keila Rosa, Andressa Liegi Costa, Monique Sousa, Bruna Medina, Matheus Ribeiro, Ana Beatriz Getirana, Robson Nunes, Victor Nobre e João Feres Jr.
13/07/2020 -

Na semana entre 29 de junho e 5 de julho de 2020 foram contabilizados 16.783 posts nas 719 páginas de nossa amostra, que geraram 8.584.709 compartilhamentos. Os principais recursos utilizados nos posts foram fotos (40%), links (37%), vídeos (22%) e  somente texto (1%). Os assuntos que mais repercutiram na rede ao longo do período foram o auxílio emergencial, o combate à Covid-19 e o projeto de lei das Fake news.

O deputado André Janones (Avante-MG) segue liderando o número de compartilhamentos na plataforma com suas lives sobre o auxílio emergencial. Janones procura diferenciar-se das posições que referenciam a polarização política atual, o bolsonarismo e o petismo,  afirmando que “não possui lado” e que “seu compromisso é, acima de tudo, com o povo”.

Nos posts dessa semana, o deputado declarou oposição a Bolsonaro,  defendendo a extensão do benefício enquanto durar a pandemia. Ele também refuta o argumento da suposta falta de recursos para manter os pagamentos dizendo que há uma série  de empresas devedoras da Previdência, que se cobradas, devolveriam R$ 200 bi aos cofres públicos. Janones manifestou também indignação com a fala do ministro Paulo Guedes, que chamou os brasileiros dependentes do auxílio de “vagabundos”.

Em contrapartida, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) tentaram reverter a imagem negativa decorrente das ações do presidente no combate à pandemia  e suas  declarações acerca do benefício.

Em um dos posts, Bolsonaro e Guedes apertam as mãos e comemoram a marca de 64,1 milhões de beneficiários, como se fossem entusiastas e propositores do auxílio.  No post, indica-se que este número equivale à população de 8 países da Europa. Em outra publicação, Bolsonaro qualifica como promissora a parceria com a Inglaterra na produção da vacina contra à Covid-19 e declara triunfante que esse acordo coloca o Brasil na liderança do enfrentamento ao coronavírus.

Observou-se ainda nos posts de Bolsonaro e Zambelli (PSL-SP) ao longo dessa semana um forte apelo religioso. Nos vídeos divulgados, populares e lideranças religiosas enfatizam que Bolsonaro foi “escolhido por Deus para ser presidente e livrar o país de uma ditadura socialista”, personificada pela candidatura de Haddad (PT-SP), e desacreditam a pesquisa da Datafolha acerca da queda de sua popularidade.

O enquadramento antipetista também foi mobilizado nos ataques das páginas da extrema direita ao PL 2630/2020, conhecido também como PL das Fake news. Esses políticos condenam o projeto argumentando que ele configura censura e viola os direitos à privacidade e à liberdade de expressão, alinhando-se à proposta de regulação da mídia dos tempos do PT e aos interesses de atores supostamente autoritários, corruptos e de esquerda, como a imprensa e o STF.  Lógica semelhante foi utilizada para atacar o movimento Blacks lives matter. A partir da deturpação dos ideários igualitarista e liberal, os protestos são acusados de defender privilégios para as minorias raciais e étnicas, endossar a violência e colocar em risco a liberdade dos brancos, conservadores, cristãos e capitalistas, sobretudo daqueles contrários ao lockdown.

As atitudes reativas das páginas da extrema direita sugerem uma mudança na correlação de forças no Brasil. Com a pandemia, as inúmeras investigações em curso e a flagrante incapacidade do governo, a presumida superioridade moral do grupo político liderado pelo presidente, assim como o caráter técnico do  seu corpo ministerial, vem se esfacelando. Com o intuito de frear a perda de apoiadores, esses atores recorrem à velha estratégia da ameaça comunista, apelando até mesmo a Deus para se  justificarem.

 

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